segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Legado de Humbold



Saul Bellow

Acho que é um livro diferente dos que estou habituada a ler. Só a partir do meio do livro comecei a conseguir ter uma ideia clara sobre o personagem principal, Citrine.


Paralelamente ao enredo do livro vão-se descortinando os pensamentos de Citrine que recorrem a múltiplas referencias, autores, correntes de pensamento e teorias.
Gosto quando um livro me ensina coisas novas. Devido aos vários assuntos abordados pesquisei sobre a Teosofia, Helena Blavatsky, e Antroposofia. É curioso como em algumas alturas, alguns conhecimentos se vão encaixando como puzzles. Enquanto lia o livro vi o filme Prometheus que conta a história que os nossos "engenheiros" eram homens gigantes, fiquei a pensar se não teriam ido buscar esta ideia à antropogénese de Helena Blavatsky.

Ao longo do livro o personagem principal vai tomando consciência que o facto de ser um intelectual reconhecido não o “salva” das questões práticas da vida, mas essa consciência é, em parte, quase forçada pelos factos que se vão sucedendo e faz com que Citrine aprenda a tomar as rédeas do seu destino. Não basta viver no mundo das ideias.

O livro tem conceitos muito interessantes, alguns novos para mim, outros que vão ao encontro de ideias que já tinha. É sempre bom quando num livro lemos um pouco sobre o que intuímos, faz-nos pensar que afinal não estamos sozinhos.

Há também a ironia e as situações ridículas que por vezes imperam na historia do homem.

Sobre a edição há alguns erros, o que é pena.

Se me perguntassem quantas estrelas dava a este livro, não saberia simplesmente o que responder.


quinta-feira, 8 de março de 2012

As Pontes de Madison County




Acabei de ler o livro ontem e há algo nesta história real que me comove inexplicavelmente.

Já tinha visto o filme, que adorei e agora complementando com o livro, fica claro que os actores não poderiam ser outros senão Clint Eastwood e Meryl Streep. Principalmente Clint Eastwood que representa Robert Kincaid, um homem particular e enigmático, que se sente como um dos últimos cowboys do nosso tempo.

terça-feira, 6 de março de 2012

4 Irmãos

Somos 4 irmãos, todos de mães diferentes, de locais diferentes do país, um único pai.
O meu pai (nosso) costumava dizer-me em tom de brincadeira:

- Eu sempre fui um bom homem, dei um filho a cada uma das mulheres e assim não sobrecarreguei nenhuma delas!

Algo assim do género, se bem que tenho dúvidas, se tenha usado a palavra bom ou inteligente, mas com certeza ele procurava ver o lado positivo, daquilo que foi trágico para alguns de nós.

Ao fim de 37 anos decidi encontrar os meus irmãos. Confesso que antes não o quis, apesar de me ter sido sugerido pelo meu (nosso) pai, há muitos anos. Disse-me o nome do meu irmão mais novo e entregou-me um papel solto com o seu numero de telefone que deixei ainda durante algum tempo ao lado do telefone, mas que depois acabou por se perder inexoravelmente no tempo.

Hoje quando conversava com o meu irmão sobre o passado, foi como se tivesse mergulhado no tempo e voltado a viver a minha historia. Deixou-me triste inicialmente … sim, mas depois revivi as aventuras, as fantasias e os lugares que habitaram durante tantos anos o meu imaginário.

Lembrei-me do sótão, da antiga padaria, das cores das casas velhas e das suas escadas que sempre me fascinaram e que sempre entraram nos meus sonhos.

Foram todos esses momentos que me moldaram, que fizeram de mim o que fui e o que sou hoje. Compreendi que não poderia ser diferente, por muitos livros que leia.
A minha história, umas vezes triste, outras feliz é indissociável de mim, foi ela que me levou a sentir o prazer de viver estas aventuras, estas sensações fantásticas que foram moldando e construindo a minha vida interior.


Se calhar um dia escrevo sobre nós. Os 4 irmãos.