Somos 4 irmãos, todos de mães diferentes, de locais diferentes do país, um único pai.
O meu pai (nosso) costumava dizer-me em tom de brincadeira:
- Eu sempre fui um bom homem, dei um filho a cada uma das mulheres e assim não sobrecarreguei nenhuma delas!
Algo assim do género, se bem que tenho dúvidas, se tenha usado a palavra bom ou inteligente, mas com certeza ele procurava ver o lado positivo, daquilo que foi trágico para alguns de nós.
Ao fim de 37 anos decidi encontrar os meus irmãos. Confesso que antes não o quis, apesar de me ter sido sugerido pelo meu (nosso) pai, há muitos anos. Disse-me o nome do meu irmão mais novo e entregou-me um papel solto com o seu numero de telefone que deixei ainda durante algum tempo ao lado do telefone, mas que depois acabou por se perder inexoravelmente no tempo.
Hoje quando conversava com o meu irmão sobre o passado, foi como se tivesse mergulhado no tempo e voltado a viver a minha historia. Deixou-me triste inicialmente … sim, mas depois revivi as aventuras, as fantasias e os lugares que habitaram durante tantos anos o meu imaginário.
Lembrei-me do sótão, da antiga padaria, das cores das casas velhas e das suas escadas que sempre me fascinaram e que sempre entraram nos meus sonhos.
Foram todos esses momentos que me moldaram, que fizeram de mim o que fui e o que sou hoje. Compreendi que não poderia ser diferente, por muitos livros que leia.
A minha história, umas vezes triste, outras feliz é indissociável de mim, foi ela que me levou a sentir o prazer de viver estas aventuras, estas sensações fantásticas que foram moldando e construindo a minha vida interior.
Se calhar um dia escrevo sobre nós. Os 4 irmãos.
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